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Descubra as diferenças

por Nuno Azinheira, em 08.09.16

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Já aqui vos contei: sempre fui gordo. Os anais da história dizem que até aos seis anos era um pisco a comer e que até era magrito. Mas a partir dos seis anos comecei a engordar. Era um "badocha". E um "caixa de óculos", já agora, porque usava uns grossos, de massa, como naquela altura os meninos tinham. Sempre cresci gordo. Sempre cresci a ouvir os termos todos que vocês conhecem: "Piranha", "Baleia fora de água", "Badocha", "Monte de banhas". Assim, de repente, não me lembro de mais. Apesar de tudo, cresci com uma certa autoestima elevada. Era um líder entre os amigos. Um falador, um bom aluno, um sedutor. Já não me recordo, mas claro que ouvir todos esses nomes deve ter sido difícil. Mas se me perguntam se me marcaram para todo o sempre, a resposta é uma: não.

Ser gordo atrapalhava algumas coisas na fase de crescimento. A começar pela roupa: nunca havia números para nós. Aliás, a impreparação dos comerciantes para lidar com gordos é uma coisa que roça o absurdo. A pior coisa que se pode dizer a um gordo que procura um determinado número de calças ou de camisa é uma resposta do tipo: "Experimente este. Este dá de certeza, que é enorme!". E depois se não dá? "Ah, ia jurar que dava. É o maior que temos". Pior a emenda que o soneto. Só falta mesmo dizer que "essa é a peça que temos normalmente para os bisontes, mas você ainda é maior do que um bisonte". Sim, isso acontece. Aconteceu-me.

Ser gordo atrapalha noutras coisas. Nas brincadeiras na escola. O gordo vai sempre à baliza, porque nunca ninguém quer o gordo na sua equipa. Eu era sempre o último a ser escolhido pelos capitães. 

Ser gordo magoa nas intimidades. Todos gostamos do belo. O gordo não faz parte dos cânones tradicionais de beleza. E isto é válido para homens e mulheres. Passei anos da minha adolescência com amores não correspondidos, simplesmente porque a outra parte nem reparava no gordo. Até que um dia percebi que havia mercado. Que há gente que gosta de gente, independentemente de ser gordo ou de ser magro. Gosta de gente, com gente dentro. Com cabeça, com ideias, com charme, com inteligência, com humor. Safei-me, enfim.

Quem nasce e cresce gordo nunca deixa de ser gordo. Mesmo que perca muitos quilos, mesmo que o corpo diga o contrário, será sempre gordo na cabeça. Saberá sempre perceber o que sofre um gordo, ou alguém diferente. Um gordo não é perfeito: um gordo também olha primeiro para o embrulho e depois para o conteúdo, mas, provavelmente, se for bem formado(a), perceberá que o conteúdo é bem mais importante que o embrulho. 

Para quê esta conversa? Para vos explicar que quem luta contra o excesso de peso, luta severamente. Luta muto. Pela sua saúde, pela sua autoestima, contra os preconceitos. É uma luta que pesa toneladas. E é uma luta de avanços e de recuos. E de muitos fracassos. 

A questão da minha autoestima sempre a resolvi com o trabalho e com o sucesso profissional que fui conseguindo com o meu trabalho. Comecei aos 15 na rádio. Tenho 42. Quando olho para trás e vejo o que já fiz, orgulho-me. Fiz imensas coisas mal? Claro que sim. Mas muita coisa de que me orgulho. E isso sempre me fez acreditar em mim, no meu conteúdo. Apesar do embrulho.

Chegou a vez de tratar do embrulho, como sabem. Foi um click que despertou na minha cabeça com a descoberta da Diabetes. Em rigor tinha começado dois meses antes com uma nova tentativa de ginásio. E um PT dedicado. Cheguei a ter um peso idêntico àqueles jovens que se inscreveram no Peso Pesado. Desde abril para cá perdi 19 quilos. Desde que a Diabetes foi diagnosticada oficialmente, a 19 de junho, perdi 15. Durante as férias (as férias, sabem, aquele período em que há mais pão, mais álcool, mais patuscadas...) perdi 6,5 quilos e 15 centímetros de perímetro abdominal. Estes dados foram-me confirmados terça-feira na consulta que tive na Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal. 

Quinze centímetros de perímetro abdominal perdido significam duas coisas óbvias: menos quatro números de calças, menos dois números de camisas e T Shirts. Mas uma ainda mais importante: menor risco de complicações cardíacas, como AVC. Calculam a emoção com que saí da APDP e os parabéns e o beijinho que recebi da enfermeira Rita Almeida e da nutricionista Ana Raimundo. Aqueles sorridos e as minhas lágrimas, que não tive problemas em esconder, são o melhor estímulo para continuar.

Hoje, as Memórias do Facebook trouxeram-me uma foto de há cinco anos. Era eu, com mais 30 quilos e menos cinco anos. Mais perto da doença. Talvez da morte, embora a gente nunca saiba quando a velhaca aparece. Hoje, pareço outro. Não pareço. Sou outro. E não vou desistir. Mas de facto apetece dizer "Descubra as Diferenças"...

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 Quem nunca comeu fast food que atire a primeira pedra. Todos nós já o fizemos. Ou porque os filhos nos "obrigam", ou porque "é mais rápido", ou porque "faz mal, mas é bom", ou porque... enfim, porque sim. Mas o fast food devia chamar-se "fat food". Porque, mais do que ser rápida, é comida gorda. O problema não é comer uma vez por mês. O problema é quem faz do fast food uma base sólida de sustentação alimentar. Não, não pense que não há gente assim. Tenho amigos que passam pelo Mac, pelo King, pelo KFC duas ou três vezes por semana. É barato, rápido e saboroso, com aquelas combinações doce-salgado estudadas ao pormenor, carregadas de sal e de gorduras satudadas.

Sei do que falo: também comia disto. E de vez em quando, voltarei a comer. Quem tem seguido a vida deste Tipo 2 sabe que não sou moralista, nem ando a pregar uma coisa que nunca fiz. Não, nada de extremismos. Mas nas minhas leituras dos dois últimos meses, tenho encontrado livros, sites, informações clínicas que vale a pena partilhar com os outros. Sejam ou não diabéticos. É uma questão de saúde pública. É uma urgência de saúde pública.

Deixo aqui uma lista de 15 maravilhosas iguarias. Já comi cada uma delas várias vezes nestes quase 42 anos de vida e sei como pode ser viciante. Se ler este texto com a boca na botija, pare. Pare de ler. Coma tranquilamente, que até lhe pode cair mal. Faça bom proveito. Depois, então, com mais tempo, leia. E veja como pode moderar a coisa. Pela sua saúde.

 

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 Cheeseburger (om Tomate e Ketchup no Pão)

É rápido e saboroso. Mas um cheesburger das principais cadeias de fast food tem cerca de 350 calorias, 36 gramas de hidratos de carbono, 15 gramas de gordura, 0,8 gramas de sal.

 

Captura de ecrã 2016-08-16, às 19.18.47.pngCheeseBacon Burger (com tomate e maionese no pão)

Come-se em menos de 5 minutos, mas são um 5 minutos de pecado: 668 calorias, 40 gramas de gordura, 37 de hidratos de carbono, 1,7 gramas de sal.

 

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 Batatas fritas (um pacote médio)

Complemento indispensável para os amantes de fast food: 156 kcal, 20,3 de hidratos de carbono, 10 gramas de gordura

 

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 Coca Cola (um copo médio - 250 ml)

Uma ida ao fast food contempla sempre uma coca cola. Se for cola normal (sem ser light ou zero), é preciso somar mais 103 calorias, 25 gramas de hidratos de carbono. Se for Fanta, aumente mais 50 calorias. Valores idênticos ao Ice Tea.

 

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 Aros de cebola (um pacote com cerca de dez)

São estaladiços, apetitosos, e uma das especialidades de uma conhecida cadeia de fast food. Cada poção tem cerca de 10 anéis de cebola. Comer esses dez anéis significa ingerir 276 kcalorias, 31 gramas de hidratos de carbono, 15,5 gramas de gordura e 0,7 gramas de sal.

 

 

 

Captura de ecrã 2016-08-16, às 19.08.35.pngSundae de chocolate (gelado)

Um copo de gelado tem 184 gramas. Fornece 325 calorias e 54 gramas de hidratos de carbono

 

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 Nuggets de frango (um pacote, 80 gramas)

Os mais novos adoram. E os mais velhos também. Cada pacotinho: 250 kcal, 15 gramas de gordura, 14 gramas de hidratos de carbono.

 

 

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 Frango frito (de uma conhecida cadeia de fast food especialista em frango)

Um suculento e, admito, saboroso pedaço de frango frito tem cerca de 90 gramas. Fornece198 calorias, 11 gramas de gordura e 3,8 de hidratos de carbono. Parece relativamente pouco, comparado com outros daqui da lista, não parece? Pois, mas pense bem: alguém vai a um desses sítios e come um pedaço? Os menus médios têm três pedaços. Multiplique...

 

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Tower (da mesma cadeia de fast food especialista em frango)

É o clássico. O big mac dos frangos. O Tower é grande, duplo, suculento. E uma bomba: tem 258 gramas, que fornecem 639 calorias, 47 gramas de hidratos de carbono, 36 de gordura.

 

 

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Pizza (1 pedaço equivalente a 1/8 de uma pizza de 30 cm de diâmetro)

Há de todas as espécies, com todos os ingredientes. Os valores são referência média para uma pizza de 3 ou 4 ingredientes: 250 kcalorias, 26 gramas de hidratos de carbono, 16 gramas de gordura, 0,6 gramas de sal. 

 

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Cachorro quente (com maionese ou ketchup, mais batata palha no pão)

Na rua, uma forma rápida de comer. Mal. Um hot dog com tudo a que temos direito fornece ao organismo 285 calorias, com 23 gramas de hidratos de carbono, 17 gramas de gordura e 1 grama de sal.

 

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Baguete de pasta de atum (de uma conhecida cadeia de sandes frias e quentes)

A sandes de pasta de atum é uma das mais clássicas. E uma das mais calóricas. Diria mesmo estupidamente calóricas. Uma sandes daquelas tem 260 gramas, que fornecem 650 calorias, 54 gramas de gordura e 55 de hidratos de carbono.

 

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Lasanha ultracongelada (embalagem 400 gramas)

Não há paciência para cozinhar, mas há sempre uma salvadora embalagem de lasanha ultracongelada. Todas as cadeias de supermercados têm. Uma dose tem 400 gramas. Fumegantes, a sair do forno ou do microondas. Aquela dose é uma mina: 546 calorias, 35 gramas de hidratos de carbono, 28 gramas de gordura e 1,4 gramas de sal. Há à venda nas grandes superfícies embalagens de 300 gramas. Basta fazer as conversões.

 

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Bacalhau com natas ultracongelado (embalagem 380 gramas)

É outro clássico da preguiça e da falta de tempo. Saca-se a embalagem do congelador e cá vai disto. E "isto" é: 608 calorias, 57 gramas de hidratos de carbono, 30 gramas de gordura.

 

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Gelado (vários sabores, embalagens de 1 L à venda em supermercados)

Uma dose de 100 ml (equivalente a duas boas bolas) fornece 95 calorias e 13 gramas de hidrartos de carbono, 11 dos quais açúcar.

 

 

 

Agora que já viu estas 15 maravilhosas iguarias individualmente, pense nas combinações que pode fazer com elas. Quer um exemplo? Dou-lhe dois.

1º exemplo: chega a uma destas cadeias de fast food e pede um Menu Cheese Medio (cheeseburger + batatas fritas + cola media) e ainda um extra de aros de cebola. Para sobremesa, um sundae (gelado). Come tudo. Tem a máquina de calcular ao lado? Eu ajudo: 350 kcal +156 kcal + 103 kcal + 276 kcal + 325 kcal. Tudo somado: 1210 kcal. Numa só refeição consumiu quase o valor calórico recomendado para o dia inteiro (se for uma criança), ou mais de metade do valor calórico se for um adulto.

Se for diabético, o mais importante para si é a contagem dos hidratos de carbono. Ora, esta refeição obrigou-o a ingerir 156 gramas de hidratos de carbono. Ora, este valor é muito acima da dose média recomendável de uma dieta de baixo consumo de hidratos de carbono, que aponta para 90 a 100 gramas de hidratos por dia (atenção que cada caso é um caso e há pessoas que necessitam de valores diferentes para ter energia suficiente para o dia-a-dia).

 

2º exemplo: Está em casa, não lhe apetece cozinhar. Tira do congelador de uma embalagem de bacalhau com natas ultracongelado, bebe duas latas de cola (330ml cada) e termina com um taça de gelado de chocolate e natas. Vamos a contas calóricas? 608 + 380 + 95 = 1083 calorias. Neste caso, são consumidos 130 gramas de hidratos. Numa só refeição, mais do que devia consumir para o dia inteiro.

 

A minha reeducação alimentar dos últimos dois meses, que me tem feito ler e descobrir nova informação clínica, levou-me a este site: o Fatsecret. É uma base de dados que vai sendo alargada de dia para dia com a informação nutricional de alimentos. Dê uma saltada a este site e habitue-se a ler os rótulos. Acredite que é uma excelente prática. E essencial na hora de ir às compras se quer perder peso e optar por um estilo de vida mais saudável.

Fonte: Fatsecret

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